Para comemorar o Dia da Pessoa Portadora de Deficiência, as turmas da
EB1 do Carandá, escreveram uma história a várias mãos.
Esta atividade começou com um
parágrafo inicial retirado do livro Os
Primos e a Bruxa Cartuxa, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e as turmas 2.º B, 2.º A, 3.º B, 4.º A,
4.º B e 3.º A, por esta ordem, inventaram a história dos primos inseparáveis, a
Lúcia e o Jorge. Depois da história escrita, as turmas do 1.º Ano vão ilustrá-la.
Esperamos que gostem tanto da história como as crianças gostaram de a
escrever e de a ilustrar.
Lúcia
e Jorge: os primos inseparáveis
Lúcia foi a primeira a
chegar à quinta dos avós para passar o fim-de-semana. Enquanto o primo não
apareceu, andou numa correria pelo jardim, sempre a espreitar por entre as
grades do portão a ver se ele já vinha. Finalmente avistou o carro e desatou
aos pulos de contente.
-
Jorge! Jorge!
O Jorge mal avista a prima, começa a correr até ela.
- Olá,
Lúcia! Estás boa? Que saudades!
Os dois
primos deram um longo abraço. E não perderam muito tempo, pois foram
imediatamente, de mão dada, brincar. Nessa tarde, brincaram às escondidas, à
apanhada, à cabra-cega, aos três pauzinhos e antes do lanche ainda houve tempo
para jogarem à bola…
Depois do lanche, a Lúcia pediu ao primo:
- Jorge,
brincas comigo às bonecas?
- Oh, não, Lúcia, eu não gosto de brincar com coisinhas de
meninas! – respondeu ele sem pensar.
- Mas,
Jorginho, isso não é justo: porque antes do lanche, eu também brinquei contigo
à bola e tu sabes que eu nem gosto…
O Jorge
pensou um pouco nas palavras da prima e aceitou brincar com ela:
-
Desculpa, prima, tens razão! Vamos lá brincar às bonecas!
Os dois
primos foram até à sala e decidiram servir um chá quentinho às bonecas e às
suas “convidadas”. A Lúcia foi logo buscar um bule de água bem quente à
cozinha…
E quando voltou, preparava-se para deitar a água nas
chávenas das bonecas, mas o Jorge queria ser ele a deitar a água. Puxou o bule
das mãos da Lúcia para si e, sem querer, largou-o de forma muito bruta que a
água saltou logo para os olhos da menina.
O primo,
muito aflito, ao vê-la agarrada aos olhos, foi imediatamente chamar os seus
avós, enquanto a Lúcia gritava de dor:
- Aaaaaaaaaaaaiiiiiii!
Que dores! Ai! Queima muito…Doem-me muito os olhos!
Os avós
ligaram para o 112 e enquanto a ambulância não chegava, todos estavam a tentar
acalmar a Lúcia, que continuava:
-Porque
estão a demorar tanto a chegar?! Não vejo nada! Não vejo nada! Que aflição!
-Tem
calma, minha querida, já se ouve a sirene: eles estão a chegar!
O INEM chegou e a família, muito angustiada, esperava que levassem a
menina o mais rápido possível para o Hospital. E assim aconteceu…
Toda a
família aguardava, na sala de espera do Hospital, com muita ansiedade, que
alguém lhes desse informações. Assim que o médico entrou na sala, a avó
questionou-o:
- Como
está a minha netinha, Sr. Doutor?
- Bem, as
notícias que tenho a dar-lhe não são as melhores…- O que é
que lhe aconteceu? O que é que lhe aconteceu? Ai, estou tão preocupada! –
interrompeu a avó.
- Receio que a sua neta possa
ter perdido a visão.
- O quê?! Não pode ser! Não!
- Tenha calma…sente-se um bocadinho, por favor. Beba um
copo com água. A sua neta perdeu a visão, mas tenha calma, não é o fim do
mundo. Pode continuar a viver como sempre o fez, se tiver o apoio e o
acompanhamento da família e de todos os seus amigos…
A avó perguntou ao médico, de imediato:
- Quanto tempo é que a Lúcia vai ficar internada?
- Mais alguns dias…Tem de ter paciência! – respondeu o
médico.
Assim que a Lúcia teve alta do Hospital, voltou para casa
com a sua família e todos estavam muito tristes com o acidente que lhe tinha
acontecido.
O Jorge foi o
primeiro a falar com a Lúcia:
- Priminha, desculpa-me, foi sem querer, tu bem sabes! - Não faz mal, Jorge, eu vou ficar bem, mesmo não
voltando a ver!
- Claro que vais ficar bem! Eu vou ajudar-te, vou ser o
teu guia na escola e, pensa bem, até podemos inventar uma brincadeira nova!
- Uma brincadeira nova? Como assim, um jogo?
- Sim, Lúcia! Eu posso dar-te objetos e tu, através do
tato ou através do cheiro, podes tentar adivinhar o que é…
- Como assim? Fruta? Brinquedos? Material da escola?
- Sim, todas essas coisas! Mas primeiro temos de treinar
muito bem! Só com o hábito é que vais conseguir descobrir o que te ponho nas
mãos. Imagina que é como o jogo da cabra-cega.
O
Jorge deu à Lúcia, com cuidado, um cubo mágico e ela ao apalpar
este objeto conseguiu acertar logo, à primeira tentativa. A Lúcia ficou
bastante contente por ter descoberto e quis continuar o jogo. E durante vários
dias, os primos continuaram a brincar até que a Lúcia conseguia adivinhar tudo
o que o primo lhe dava através do tato e do olfato: peças de vestuário, vários
tipos de papel, como o de fantasia, que ela ia sentindo e descobrindo a
textura, peças de fruta e outros alimentos que ela descobria só através do
cheiro e muitas outras coisas…
O Jorge continuava a
ser o companheiro de brincadeiras da prima e para a ajudar a orientar-se, ele
ofereceu-lhe uma prenda muito especial: um cão-guia, que começou a acompanhar
a Lúcia para todos os lugares. E quando o cão não a podia guiar, era o Jorge
que a ajudava.
A menina começou a sentir-se
mais confiante, mais animada, muito mais segura e decidiu voltar à escola, pois
já tinha saudades de todos os seus amigos e da professora.
Na
escola, todos adoraram ter a amorosa Lúcia de volta e os seus amigos
continuaram a brincar com ela como sempre tinham feito e conseguiram dar-lhe apoio
sempre que ela precisava.
A Lúcia, aos poucos e com a
ajuda especial do Jorge, de toda a família e dos amigos, voltou a ser uma
menina feliz!!!
2.º B 2.º A 3.º B 4.º A 4.º B 3.º A
Ilustrações do 1.º A: